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Controle de partículas subvisíveis em injetáveis: 6 critérios analíticos e conformidade com a Farmacopeia Argentina

Análise dos requisitos da Farmacopeia Argentina para partículas subvisíveis em injetáveis, incluindo preparo de amostras, critérios de aceitação, limitações analíticas e aplicações do HIAC 9703+.

13 out 2026 25 25 minutos de leitura

Controle de partículas subvisíveis em injetáveis: critérios analíticos e conformidade com a Farmacopeia Argentina

O controle de partículas subvisíveis em medicamentos injetáveis exige mais do que a contagem instrumental de partículas em líquidos . A seleção do procedimento, o preparo das amostras, a adequação do sensor e a interpretação dos resultados devem estar alinhados às especificações farmacopéicas aplicáveis.

Na Argentina, o capítulo <650> — Partículas em Injetáveis, da Farmacopeia Argentina , descreve procedimentos de contagem por bloqueio de luz e por microscopia, incluindo condições de análise e limites de aceitação para diferentes apresentações farmacêuticas.

Para os laboratórios de controle de qualidade, a aplicação desses requisitos envolve decisões que podem afetar diretamente a confiabilidade dos resultados e a avaliação de conformidade de um lote. Essas atividades também integram o contexto das Boas Práticas de Fabricação fiscalizadas pela ANMAT , que abrangem documentação, qualificação de equipamentos e procedimentos de controle de qualidade.

1. Aplicabilidade do capítulo 650: como definir o procedimento para cada preparação?

Ampolas, frascos farmacêuticos e bolsas de infusão de diferentes volumes, utilizados na preparação e análise de partículas subvisíveis em medicamentos injetáveis.

O capítulo <650> diferencia preparações injetáveis de pequeno e grande volume e descreve condições específicas de execução dos ensaios. A seleção do procedimento exige considerar o volume declarado, a apresentação farmacêutica e a monografia correspondente.

Para o ensaio por bloqueio de luz, o capítulo considera injetáveis de grande volume aqueles com volume declarado igual ou superior a 100 mL. Preparações com volume declarado inferior a 100 mL são classificadas como injetáveis de pequeno volume.

Volume declarado e amostragem

Para injetáveis de pequeno volume contendo menos de 25 mL por unidade, o procedimento por bloqueio de luz prevê a possibilidade de combinar o conteúdo de dez ou mais unidades, de modo a obter volume suficiente para o ensaio.

A necessidade de combinar unidades evidencia uma das dificuldades das análises com volumes reduzidos. Um estudo sobre redução do volume de amostra por Light Obscuration , apresentado pela INNOTEC, investigou como diferentes volumes influenciam o desempenho analítico do método.

Para preparações com 25 mL ou mais por unidade, a análise pode ser realizada individualmente. Injetáveis de grande volume devem ser ensaiados em unidades individuais.

O número de unidades analisadas deve permitir uma avaliação estatisticamente válida quando o objetivo for caracterizar um lote. O capítulo recomenda que os planos de amostragem considerem o histórico de contagens, a distribuição de tamanhos e a variabilidade entre unidades.

Formulações e condições particulares

Preparações multidoses, pós estéreis e produtos liofilizados exigem atenção às instruções específicas de preparação e cálculo.

O capítulo também estabelece condições particulares de aplicabilidade e prevê uma isenção para injetáveis cujo rótulo declare que o produto deve ser utilizado com filtração. Essa previsão não deve ser generalizada para outras apresentações.

Antes da execução, é necessário verificar o capítulo geral, a monografia do produto e os requisitos específicos aplicáveis ao medicamento.

2. Preparação de amostras: condições que podem comprometer a contagem
Preparação de amostras injetáveis com pipeta e frascos, mostrando bolhas de ar e partículas que podem comprometer a contagem.

Partículas provenientes de recipientes, materiais de manipulação, água utilizada no ensaio ou do próprio sistema de medição podem interferir na determinação.

Por esse motivo, o capítulo <650> estabelece procedimentos de limpeza e controle das condições analíticas antes da contagem das amostras.

Controle do branco no método por bloqueio de luz

O procedimento descrito na Farmacopeia Argentina utiliza 50 mL de água destilada ou desionizada e filtrada para a verificação do branco.

Após a preparação e desgaseificação, são realizadas três contagens consecutivas, utilizando porções de pelo menos 5 mL. A primeira contagem é desconsiderada.

O capítulo estabelece os seguintes critérios para a amostra combinada de 10 mL correspondente às duas contagens consideradas:

Classe de tamanho Critério para o branco
Partículas ≥ 10 µm Não mais de 10 partículas em 10 mL
Partículas ≥ 25 µm Não mais de 2 partículas em 10 mL

Se esses valores forem excedidos, o capítulo considera as condições inadequadas para o ensaio. A preparação deve ser revista e as verificações repetidas até que as condições sejam apropriadas.

Homogeneização e remoção de bolhas

Para as preparações contempladas no procedimento por bloqueio de luz, a Farmacopeia Argentina descreve a inversão do recipiente vinte vezes para ressuspender as partículas.

A remoção das bolhas pode ser realizada por sonicação durante aproximadamente 30 segundos ou por repouso, conforme as condições descritas no capítulo.

A amostra deve ser manipulada cuidadosamente para evitar a introdução de novas partículas ou bolhas antes da contagem.

Alíquotas e volume efetivamente analisado

O procedimento farmacopéico descrito para bloqueio de luz utiliza pelo menos três alíquotas, cada uma com volume não inferior a 5 mL. A primeira contagem é descartada e os resultados das demais são utilizados nos cálculos.

Em amostras combinadas, o volume total deve ser suficiente para atender às condições de preparação e execução estabelecidas no capítulo.

É importante distinguir o volume mínimo previsto no procedimento farmacopéico da capacidade de um instrumento de trabalhar com volumes menores em outros métodos analíticos.

3. Limites de aceitação para partículas de 10 µm e 25 µm

Frascos de medicamentos injetáveis ao lado de monitor com contagem de partículas subvisíveis de 10 µm e 25 µm.

O capítulo <650> apresenta critérios de aceitação para as classes de partículas com tamanho igual ou superior a 10 µm e igual ou superior a 25 µm.

Os limites variam conforme o método utilizado e a classificação da preparação como injetável de pequeno ou grande volume.

Limites para contagem por bloqueio de luz

A Tabela 1 do capítulo <650> apresenta os seguintes limites máximos:

Preparação ≥ 10 µm ≥ 25 µm
Injetáveis de pequeno volume 6.000 partículas/unidade 600 partículas/unidade
Injetáveis de grande volume 25 partículas/mL 3 partículas/mL

Limites para contagem microscópica

Para o procedimento de contagem microscópica, a Tabela 2 do capítulo estabelece limites diferentes daqueles aplicáveis ao bloqueio de luz.

Preparação ≥ 10 µm ≥ 25 µm
Injetáveis de pequeno volume 3.000 partículas/unidade 300 partículas/unidade
Injetáveis de grande volume 12 partículas/mL 2 partículas/mL

Os valores apresentados correspondem às tabelas oficiais do capítulo <650>, disponibilizadas no portal de legislação da República Argentina.

Os critérios de um método não devem ser aplicados aos resultados obtidos pelo outro. Também é necessário verificar a monografia do produto e eventuais requisitos específicos.

4. Cálculo e expressão dos resultados: onde podem ocorrer erros de interpretação?

Frascos e ampolas de medicamentos injetáveis com notebook exibindo gráficos de contagem de partículas subvisíveis em laboratório.

Os resultados instrumentais precisam ser convertidos para a unidade exigida pelo procedimento farmacopéico.

Uma contagem obtida em uma alíquota de 5 mL não representa automaticamente a contagem por recipiente ou por mililitro da preparação.

Preparações de pequeno volume

Nas amostras combinadas, o resultado por unidade depende da média das contagens consideradas, do volume total da mistura, do volume de cada alíquota e do número de unidades agrupadas.

Para unidades individuais, o cálculo considera a média das contagens e a relação entre o volume da unidade e o volume efetivamente analisado.

Preparações de grande volume

Para injetáveis de grande volume, a média das contagens é dividida pelo volume da alíquota analisada, obtendo-se o resultado em partículas por mililitro.

Apresentações multidoses

O capítulo estabelece que o resultado deve considerar o volume correspondente à dose máxima declarada no rótulo, seguindo as instruções de cálculo aplicáveis.

O laboratório deve assegurar que os cálculos utilizados no software ou na planilha de resultados reproduzam corretamente as condições do procedimento adotado.

5. Limitações do bloqueio de luz: quando a microscopia deve ser considerada?

Três frascos com diferentes níveis de turbidez atravessados por um feixe de luz, ilustrando limitações da contagem de partículas.

O bloqueio de luz é o procedimento inicialmente descrito pelo capítulo <650> para a avaliação das formulações às quais o método se aplica.

Entretanto, determinadas características da amostra podem comprometer a adequação da técnica.

Transparência, viscosidade e características da matriz

O capítulo alerta que produtos sem transparência ou viscosidade semelhantes às da água podem fornecer resultados incorretos quando analisados por bloqueio de luz.

Em determinadas situações, o procedimento microscópico pode ser utilizado. Quando a viscosidade impede a execução adequada, o capítulo também prevê diluição quantitativa com diluente apropriado.

Nesses casos, a diluição deve ser considerada na determinação do resultado final.

Concentração de partículas e limitações do sensor

A seleção do sensor deve considerar seu limite de concentração e sua faixa dinâmica de medição.

O capítulo estabelece que o limite de concentração certificado pelo fabricante deve ser superior à concentração de partículas da amostra analisada.

A presença simultânea de partículas na região de detecção pode provocar coincidência de pulsos e comprometer a contagem. Por isso, operar dentro das condições especificadas para o sensor é necessário para a confiabilidade analítica.

Resultados acima do limite por bloqueio de luz

O capítulo descreve o encaminhamento ao ensaio microscópico quando a formulação não atende às especificações do bloqueio de luz.

O método microscópico envolve a coleta de partículas sobre membrana filtrante e sua avaliação conforme critérios específicos. O procedimento exclui determinados materiais amorfos, semilíquidos ou com aspecto de filme, conforme descrito na Farmacopeia.

Isso significa que os métodos não são analiticamente idênticos e seus resultados não devem ser considerados intercambiáveis.

Um resultado fora da especificação também deve ser tratado de acordo com os procedimentos de investigação de desvios e resultados fora de especificação do sistema da qualidade do laboratório.

6. HIAC 9703+: aplicação instrumental no controle de partículas subvisíveis

Contador de partículas HIAC 9703+ da Beckman Coulter ao lado de frascos, ampolas e bolsa de infusão para análise de medicamentos injetáveis.

O

HIAC 9703+

, da Beckman Coulter, é um sistema de contagem de partículas em líquidos desenvolvido para aplicações farmacêuticas, incluindo a análise de produtos parenterais.

O equipamento utiliza sensores ópticos por bloqueio de luz e pode ser integrado ao software PharmSpec para execução dos ensaios, aquisição de dados e gerenciamento dos resultados.

Seleção de sensores e condições operacionais

O HIAC 9703+ admite diferentes configurações de sensores da família HRLD, com faixas de detecção específicas.

Para o ensaio, a seleção deve considerar as classes de tamanho exigidas, as características da preparação, o limite de concentração do sensor e as condições de operação.

Os sensores e parâmetros utilizados precisam estar adequadamente qualificados e calibrados para a aplicação pretendida.

Procedimentos farmacopéicos suportados

A Beckman Coulter informa suporte do HIAC 9703+ com PharmSpec aos métodos de bloqueio de luz descritos em:

  • USP <787>: determinação de partículas subvisíveis em injetáveis proteicos terapêuticos.
  • USP <788> : material particulado em injetáveis.
  • USP <789>: material particulado em soluções oftálmicas.
  • Farmacopeia Europeia 2.9.19 : contaminação por partículas subvisíveis.

Esses recursos são relevantes para laboratórios que trabalham com diferentes compêndios, mas a aplicação do capítulo argentino <650> exige verificar a correspondência dos procedimentos, critérios e cálculos empregados.

Volume reduzido de amostra: capacidade instrumental e exigência farmacopéica

O HIAC 9703+ dispõe de recursos para análise de volumes reduzidos de produto, dependendo da configuração e do procedimento utilizado.

Entretanto, o fato de um equipamento permitir análises com 1 mL não modifica automaticamente o volume previsto no capítulo argentino <650>.

A utilização de volumes menores deve ser avaliada dentro do método específico, considerando sua adequação analítica e os requisitos regulatórios aplicáveis.

Rastreabilidade e integridade dos dados com PharmSpec

O software PharmSpec oferece recursos de controle de acesso, autenticação de usuários, registros de auditoria e armazenamento protegido dos dados.

Segundo a Beckman Coulter, essas funcionalidades auxiliam na implementação de requisitos relacionados à integridade dos dados e à 21 CFR Part 11 .

O software também permite configurar procedimentos de ensaio e rotinas automatizadas de avaliação dos resultados, incluindo recursos de cálculo e classificação de conformidade conforme os módulos utilizados.

A disponibilidade dessas funcionalidades não dispensa a qualificação do sistema computadorizado, a definição de permissões, a validação dos procedimentos e os controles do sistema da qualidade.

Documentação do fabricante: PharmSpec Software para HIAC 9703+ .

7. Documentação analítica: quais evidências sustentam a conformidade do ensaio?

Profissional com luvas revisando relatórios analíticos, gráficos e registros de laboratório para garantir a rastreabilidade de ensaios farmacêuticos.

Na rotina de controle de qualidade, a conformidade não depende apenas do resultado final, mas também das evidências que demonstram a execução adequada do método.

Essas evidências devem permitir reconstruir as condições de análise, verificar os cálculos e identificar possíveis desvios.

A tabela a seguir organiza aspectos relevantes para a revisão do procedimento analítico e de seus registros. Trata-se de uma matriz de apoio técnico, não de uma checklist oficial emitida pela ANMAT.

Aspecto Verificação técnica
Referência normativa Capítulo, edição, suplementos e monografia aplicáveis.
Plano de amostragem Número de unidades e justificativa estatística.
Preparação da amostra Volume, homogeneização, diluições e prevenção de contaminação.
Controle do branco Resultados e atendimento aos critérios definidos.
Sistema de medição Sensor, faixa dinâmica, calibração e qualificação.
Resultados Contagens consideradas, cálculos, unidades e limites aplicados.
Integridade dos dados Registros originais, rastreabilidade, revisões e controle de alterações.
Desvios Investigação, justificativas técnicas e documentação das decisões.

O capítulo <650> fornece a base do procedimento de análise, mas a execução em um ambiente farmacêutico regulado também depende dos procedimentos operacionais, das práticas de qualificação e das responsabilidades estabelecidas no sistema da qualidade.

Conclusão: conformidade depende da aplicação correta do método

A determinação de partículas subvisíveis em medicamentos injetáveis exige atenção à aplicabilidade do procedimento, à preparação das amostras, aos limites instrumentais e à expressão dos resultados.

O capítulo <650> da Farmacopeia Argentina fornece critérios específicos para contagem por bloqueio de luz e microscopia. Sua aplicação exige verificar as características da preparação e a adequação do procedimento ao produto analisado.

Sistemas como o HIAC 9703+, da Beckman Coulter, podem integrar essas rotinas de controle de qualidade, oferecendo recursos instrumentais para contagem de partículas em líquidos e ferramentas de gerenciamento dos dados analíticos.

A INNOTEC é distribuidora exclusiva da linha de contagem de partículas Beckman Coulter na Argentina , disponibilizando informações técnicas sobre o HIAC 9703+ e suas aplicações em laboratórios farmacêuticos.

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Conteudo publicado pela equipe Innotec.

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