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Otimização da Captura de Carbono: Como a Funcionalização do Mg-MOF-74 Afeta a Adsorção de CO2

Estudo com Mg-MOF-74 mostra que a funcionalização parcial com TEPA pode aumentar a adsorção de CO2, enquanto o excesso de amina pode restringir os poros e reduzir o desempenho.

31 ago 2026 25 25 minutos de leitura

Um estudo publicado na ACS Applied Materials & Interfaces mostrou que a funcionalização do Mg-MOF-74 com tetraetilenopentamina (TEPA) pode aumentar a adsorção de CO₂ e melhorar o desempenho do material em condições úmidas.

Mg-MOF-74 com diferentes níveis de funcionalização por TEPA para adsorção de CO₂
Comparação visual feita por IA do Mg-MOF-74 original, parcialmente funcionalizado com TEPA e com excesso de TEPA, mostrando como a funcionalização pode afetar o acesso do CO₂ à estrutura porosa.

O melhor resultado, porém, não foi obtido com a maior quantidade de amina. A funcionalização parcial apresentou desempenho superior ao material com a superfície saturada por TEPA, indicando que a quantidade e a distribuição da amina são importantes para preservar o acesso do CO₂ à estrutura porosa.

Por que otimizar materiais para captura de CO₂?

Gases de combustão emitidos por chaminé industrial em contexto de captura de CO₂

Os metal-organic frameworks, ou MOFs , são estruturas formadas por componentes orgânicos coordenados a íons metálicos. Sua elevada porosidade e área superficial fazem dessa classe de materiais uma candidata para separação e armazenamento de gases, incluindo a captura de CO₂.

Entre eles, o Mg-MOF-74 apresenta características particularmente favoráveis para adsorção de dióxido de carbono. O material possui uma alta densidade de centros de magnésio insaturados e uma estrutura de poros cilíndricos que favorece a interação com CO₂.

Ainda assim, elevada capacidade de adsorção em condições secas não é o único fator relevante. Gases de combustão podem conter quantidades significativas de vapor d'água, e a presença de água representa um desafio para materiais porosos de coordenação como o Mg-MOF-74.

Foi nesse contexto que os pesquisadores estudaram a funcionalização do material com uma poliamina.

Por que funcionalizar o Mg-MOF-74 com TEPA?

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A tetraetilenopentamina, ou TEPA, possui múltiplos grupos amina. A proposta dos pesquisadores foi utilizar esses grupos para criar sítios adicionais capazes de interagir com CO₂, além dos sítios de magnésio já existentes no Mg-MOF-74.

Existe, porém, um possível efeito contrário. A introdução de uma quantidade excessiva de amina em um material microporoso pode restringir o acesso do gás aos poros.

Os autores impregnaram Mg-MOF-74 com TEPA e investigaram tanto a estrutura do material funcionalizado quanto suas propriedades de adsorção de CO₂ em condições secas e úmidas.

Como o estudo foi realizado?

Mg-MOF-74 em ensaios de sorção com CO₂, vapor d'água e mistura CO₂/H₂O

O trabalho comparou o Mg-MOF-74 original com materiais contendo diferentes níveis de funcionalização por TEPA.

Material Característica
Mg-MOF-74 Material original, sem funcionalização com TEPA
TEPA-MOF Menor grau de funcionalização superficial
s-TEPA-MOF Material com saturação dos sítios superficiais por TEPA

Para entender como a TEPA se distribuía pelo material e se a funcionalização alterava sua estrutura, os pesquisadores utilizaram técnicas como difração de raios X, espectroscopia de fotoelétrons excitados por raios X (XPS), difração de nêutrons, análise elementar e microscopia.

As análises mostraram que a TEPA estava presente tanto na superfície quanto no interior das partículas, embora sua concentração fosse maior nas regiões próximas à superfície. A estrutura cristalina principal do MOF foi preservada após a funcionalização, com pequenas alterações nos parâmetros de rede.

A funcionalização com TEPA aumentou a adsorção de CO₂?

Comparação gravimétrica da adsorção de CO₂ entre Mg-MOF-74 e TEPA-MOF

Sim, quando utilizado um menor grau de funcionalização.

Nos experimentos de Dynamic Vapor Sorption (DVS), os autores reportaram uma capacidade de adsorção de CO₂ de até 26,9% em massa para o TEPA-MOF , comparada a 23,4% para o Mg-MOF-74 original .

É importante observar a base utilizada para calcular esse aumento. Considerando a massa total do adsorvente, formada por TEPA + MOF, os autores relatam um aumento de aproximadamente 11%. Quando a massa do Mg-MOF-74 original é utilizada como base, o aumento se aproxima de 15%.

O resultado não deve ser resumido apenas como “15% mais captura”. O percentual depende da base de massa adotada: aproximadamente 11% sobre a massa total do adsorvente ou próximo de 15% quando o MOF original é usado como referência.

The TEPA-MOF species also showed a marked 11% wt increase in uptake capacity relative to that of the native MOF.

Os autores atribuem esse aumento a dois fatores complementares: a presença de sítios adicionais fornecidos pelas aminas e a manutenção do acesso aos sítios insaturados de magnésio existentes no interior do MOF.

Comparação da adsorção de CO₂

A Figura 4 do estudo apresenta as isotermas de adsorção e dessorção de CO₂ para Mg-MOF-74 e TEPA-MOF a 25 °C, em pressões de até 760 Torr.

As curvas mostram maior uptake de CO₂ para o material funcionalizado ao longo da faixa de pressão avaliada.

Outro resultado relevante é a ausência de histerese de pressão perceptível nas curvas apresentadas. Segundo os autores, todo o CO₂ adsorvido a 1 atm de pressão parcial foi liberado quando a temperatura de dessorção atingiu 120 °C.

“all of the CO2 adsorbed at 1 atm partial pressure was released.”

Mais TEPA significa maior adsorção de CO₂?

Comparação entre TEPA-MOF e s-TEPA-MOF mostrando como uma camada densa de TEPA pode bloquear o acesso do CO₂ aos sítios de magnésio no interior do material.

Não nos materiais avaliados pelo estudo.

Embora o s-TEPA-MOF apresentasse maior concentração superficial de amina, sua capacidade de adsorção de CO₂ foi significativamente inferior à do TEPA-MOF com menor grau de funcionalização.

Os autores atribuem esse comportamento ao impedimento estérico provocado por uma camada densa de TEPA na superfície. Essa camada dificultaria o transporte do gás e reduziria o acesso do CO₂ aos sítios de magnésio localizados no interior do material.

Material Disponibilidade de sítios Efeito observado
Mg-MOF-74 Sítios de Mg do próprio MOF Alta capacidade de adsorção de CO₂
TEPA-MOF Aminas + sítios internos de Mg acessíveis Maior adsorção de CO₂ entre as condições comparadas
s-TEPA-MOF Alta cobertura superficial de TEPA, com acesso interno reduzido Menor adsorção de CO₂

A temperatura de ativação também influencia a adsorção de CO₂

Comparação da TEPA-MOF a 150 °C e 250 °C, mostrando a decomposição parcial da TEPA, a redução dos sítios ativos de magnésio e a menor adsorção de CO₂ em alta temperatura.

O grau de funcionalização não foi o único fator relevante. As condições usadas para ativar o adsorvente antes dos experimentos também afetaram seu desempenho.

Para os sistemas funcionalizados avaliados no estudo, os autores identificaram 150 °C sob vácuo como a condição de ativação mais favorável para a adsorção de CO₂ .

Temperaturas maiores favoreceram a degradação da TEPA. Nos experimentos de análise termogravimétrica descritos pelos autores, aproximadamente metade da TEPA incorporada ao material foi decomposta e perdida após exposição a 250 °C durante o ensaio térmico.

A exposição do material funcionalizado a 250 °C também foi associada a uma redução significativa de sua capacidade de sorver CO₂, vapor d'água ou suas misturas.

Como a umidade afeta a captura de CO₂?

A presença de água é particularmente relevante quando materiais adsorventes são avaliados para aplicações relacionadas a gases de combustão.

Para investigar esse comportamento, os autores realizaram experimentos por DVS utilizando uma razão CO₂/H₂O de 2:1 , descrita no trabalho como semelhante à encontrada em determinados fluxos de gases de combustão de usinas a carvão.

O vapor d'água puro, por outro lado, apresentou valores de uptake semelhantes para Mg-MOF-74 e TEPA-MOF ao se aproximar da saturação, chegando a aproximadamente 59% em massa de H₂O.

A principal diferença apareceu quando CO₂ e água estavam presentes simultaneamente.

O Mg-MOF-74 apresentou histerese significativa durante o ciclo de adsorção e dessorção de CO₂/H₂O. Para o TEPA-MOF, os autores relatam comportamento reversível ao longo de toda a faixa de pressão avaliada.

O estudo não demonstra que a TEPA simplesmente impede a adsorção de água. A adsorção de vapor d'água puro foi semelhante nos dois materiais. A vantagem apareceu principalmente no comportamento do TEPA-MOF durante a coadsorção de CO₂ e H₂O.

With the TEPA-functionalized MOF, however, the uptake was fully reversible over the full pressure range.

Com base nesses resultados, os autores descrevem o TEPA-MOF como um material mais robusto para captura de carbono em condições úmidas.

O comportamento do material na presença de CO₂ e água

A Figura 6 apresenta dois conjuntos de dados importantes:

  • adsorção e dessorção em uma mistura CO₂/H₂O de 2:1;
  • adsorção e dessorção de vapor d'água puro.

A comparação ajuda a mostrar que a diferença entre os materiais não está simplesmente na quantidade de água adsorvida, mas no comportamento da estrutura quando água e CO₂ estão presentes simultaneamente.

O que explica o desempenho do TEPA-MOF?

Comparação entre Mg-MOF-74, TEPA-MOF e s-TEPA-MOF mostrando como a funcionalização com TEPA afeta o acesso do CO₂ aos poros

A caracterização estrutural e os experimentos de sorção levaram os autores a propor um mecanismo baseado na distribuição da TEPA e na acessibilidade dos poros.

As análises indicaram que as moléculas de TEPA não ficaram exclusivamente na superfície. Elas foram incorporadas ao longo das partículas, embora apresentassem maior concentração nas regiões superficiais.

Com uma cobertura parcial, os grupos amina fornecem sítios adicionais de interação com CO₂ enquanto os sítios insaturados de Mg no interior do MOF continuam acessíveis.

Quando a superfície fica excessivamente funcionalizada, a camada de TEPA pode limitar esse acesso.

Um resumo visual do mecanismo

A Figura 7 do estudo reúne os principais resultados em um esquema comparativo.

Sistema Interpretação apresentada pelo estudo
Mg-MOF-74 CO₂ e H₂O conseguem acessar a estrutura; a presença de água pode comprometer sua estabilidade.
TEPA-MOF A funcionalização parcial mantém o acesso do CO₂ e oferece maior proteção da estrutura em condições úmidas.
s-TEPA-MOF A alta cobertura superficial restringe o acesso do CO₂ aos sítios internos.

Como o Dynamic Vapor Sorption foi utilizado no estudo?

Uma parte central dos experimentos de sorção foi realizada com um sistema DVS Vacuum , da Surface Measurement Systems .

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O DVS Vacuum Gravimetric Gas/Vapor Sorption Vacuum Analyzer é o ápice da precisão na análise de materiais. Projetado para medir as cinéticas e isotermas de fisiossorção de diversos materiais, incluindo Zeólitos, MOFs, COFs, Carvões e materiais compostos, este instrumento se destaca na análise de sorção de vapor/gás de componentes únicos e múltiplos, oferecendo uma precisão incomparável.

O equipamento mede gravimetricamente a variação de massa da amostra durante os processos de sorção e dessorção. Segundo o método descrito pelos autores, o sistema utilizado possuía microbalança com sensibilidade de 0,1 µg.

Os experimentos de CO₂ foram conduzidos entre 0 e 760 Torr, enquanto os ciclos envolvendo H₂O e CO₂/H₂O foram realizados a 25 °C com controle da pressão relativa de vapor d'água.

No estudo, o DVS Vacuum foi utilizado para acompanhar:

  • adsorção e dessorção de CO₂;
  • sorção de vapor d'água;
  • coadsorção de CO₂ e H₂O;
  • comportamento de equilíbrio em diferentes etapas de pressão.

As amostras também puderam ser desgaseificadas in situ antes dos experimentos, sob alto vácuo e temperatura controlada.

O que o estudo revela sobre a otimização da captura de carbono?

Para o sistema Mg-MOF-74/TEPA investigado, os resultados mostram que a capacidade de adsorção de CO₂ depende de vários fatores que atuam simultaneamente.

  • Funcionalização: a TEPA pode fornecer sítios adicionais para interação com CO₂.
  • Acessibilidade: excesso de TEPA pode restringir o transporte do gás até os sítios internos.
  • Ativação: temperaturas inadequadas podem degradar a amina e reduzir a capacidade do material.
  • Umidade: o comportamento do adsorvente muda quando CO₂ e água estão presentes simultaneamente.

Os autores concluem que a funcionalização parcial do Mg-MOF-74 proporcionou o melhor equilíbrio entre a contribuição dos grupos amina e a manutenção da acessibilidade aos sítios metálicos.

Nessas condições, o TEPA-MOF atingiu 26,9% em massa de adsorção de CO₂ por DVS, frente a 23,4% para o Mg-MOF-74, além de apresentar comportamento mais favorável durante os experimentos realizados na presença simultânea de CO₂ e água.

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Se você desenvolve adsorventes, MOFs, polímeros ou pós sensíveis à umidade, os mesmos experimentos descritos aqui, isotermas de CO₂ sob vácuo, coadsorção de CO₂ e vapor d'água, ciclos de dessorção e ativação in situ em temperatura controlada, podem ser executados no seu laboratório.

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Perguntas frequentes sobre captura de CO₂ com Mg-MOF-74 e funcionalização com TEPA

O que é o Mg-MOF-74 e por que ele é usado na captura de CO₂?

O Mg-MOF-74 é um metal-organic framework formado por ligantes orgânicos coordenados a íons de magnésio. Ele é estudado para captura de CO₂ porque combina alta porosidade com uma densidade elevada de centros de magnésio insaturados, que interagem fortemente com o dióxido de carbono, além de uma estrutura de poros cilíndricos que favorece essa interação.

O que é a funcionalização com TEPA em um MOF?

A funcionalização com TEPA consiste em impregnar o material poroso com tetraetilenopentamina, uma poliamina que possui múltiplos grupos amina. A proposta é criar sítios adicionais capazes de interagir com o CO₂, somando-se aos sítios metálicos já presentes na estrutura do MOF.

Quanto a funcionalização com TEPA aumentou a adsorção de CO₂ no estudo?

Nos experimentos por Dynamic Vapor Sorption, o TEPA-MOF atingiu até 26,9% em massa de adsorção de CO₂, frente a 23,4% para o Mg-MOF-74 original. O aumento relatado é de aproximadamente 11% quando se considera a massa total do adsorvente, formada por TEPA mais MOF, e se aproxima de 15% quando a massa do MOF original é usada como base de cálculo.

Por que mais TEPA não significa maior adsorção de CO₂?

Porque o excesso de amina forma uma camada densa na superfície do material. Segundo os autores, esse impedimento estérico dificulta o transporte do gás e reduz o acesso do CO₂ aos sítios de magnésio localizados no interior da partícula. Foi por isso que o s-TEPA-MOF, com a superfície saturada, apresentou capacidade de adsorção inferior à do material com funcionalização parcial.

Qual a melhor temperatura de ativação para MOFs funcionalizados com amina?

Para os sistemas funcionalizados avaliados no estudo, os autores identificaram 150 °C sob vácuo como a condição mais favorável. Temperaturas maiores favoreceram a degradação da amina: cerca de metade da TEPA incorporada foi decomposta e perdida após exposição a 250 °C durante o ensaio termogravimétrico. Esse valor não representa uma temperatura universal de ativação para MOFs, e sim uma condição adequada aos sistemas TEPA investigados.

Como a umidade afeta a captura de CO₂ em MOFs?

A presença de vapor d'água é relevante porque gases de combustão contêm quantidades significativas de umidade, e materiais porosos de coordenação podem ter sua estabilidade comprometida nessas condições. No estudo, a adsorção de vapor d'água puro foi semelhante nos dois materiais, chegando a cerca de 59% em massa próximo da saturação. A diferença apareceu na coadsorção: o Mg-MOF-74 apresentou histerese significativa no ciclo de CO₂ e água, enquanto o TEPA-MOF mostrou comportamento reversível ao longo de toda a faixa de pressão avaliada.

A TEPA impede a entrada de água no MOF?

Não é isso que o estudo demonstra. O uptake de vapor d'água puro foi parecido nos dois materiais. A vantagem do TEPA-MOF apareceu principalmente no comportamento da estrutura quando CO₂ e água estavam presentes ao mesmo tempo, com sorção reversível em vez da histerese observada no material original.

O que é Dynamic Vapor Sorption e como a técnica foi aplicada no estudo?

Dynamic Vapor Sorption, ou DVS, é uma técnica gravimétrica que mede a variação de massa de uma amostra durante os processos de sorção e dessorção, sob controle de pressão e temperatura. No trabalho, um sistema DVS Vacuum com microbalança de sensibilidade de 0,1 µg foi utilizado para acompanhar a adsorção e dessorção de CO₂ entre 0 e 760 Torr, a sorção de vapor d'água, a coadsorção de CO₂ e H₂O e o comportamento de equilíbrio em diferentes etapas de pressão.

Por que a distribuição da amina importa mais do que a quantidade?

As análises indicaram que a TEPA foi incorporada ao longo das partículas, com maior concentração nas regiões próximas à superfície. Com cobertura parcial, os grupos amina fornecem sítios extras de interação enquanto os sítios de magnésio no interior permanecem acessíveis ao gás. Quando a superfície fica excessivamente funcionalizada, essa mesma camada passa a limitar o acesso, e o ganho desaparece.

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Conteudo publicado pela equipe Innotec.

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