Innotec — Equipamentos para análise de sistemas particulados e bioprocessos
Glossário

Espalhamento múltiplo estático de luz

O espalhamento múltiplo estático de luz (SMLS) é uma técnica óptica não invasiva que caracteriza dispersões líquidas concentradas em seu estado nativo, monitorando estabilidade e tamanho de partículas.

Espalhamento múltiplo estático de luz

O espalhamento múltiplo estático de luz (SMLS) é uma técnica óptica não invasiva que caracteriza dispersões líquidas concentradas em seu estado nativo, monitorando estabilidade e tamanho de partículas.

O que é o espalhamento múltiplo estático de luz?

O espalhamento múltiplo estático de luz (SMLS) é uma técnica óptica avançada projetada para caracterizar diretamente dispersões líquidas concentradas, como emulsões, suspensões e formulações coloidais, sem a necessidade de diluição ou preparação prévia da amostra. Diferentemente de técnicas tradicionais que exigem amostras opticamente transparentes, o SMLS opera em amostras opacas ou turvas, onde a luz é espalhada múltiplas vezes antes de ser detectada, fornecendo informações sobre a concentração e o tamanho das partículas em uma ampla faixa (de 10 nm a 1000 μm) e concentrações de até 95% v/v.

Princípio de funcionamento

A técnica baseia-se na emissão de um feixe de luz (geralmente no infravermelho próximo, 880 nm) que atravessa a amostra contida em um recipiente de vidro. Os fótons são espalhados múltiplas vezes pelas partículas ou gotículas em suspensão. Dois detectores síncronos medem a intensidade da luz transmitida (a 0°) para amostras transparentes ou da luz retroespalhada (a 135°) para amostras opacas. A intensidade do retroespalhamento está relacionada ao livre caminho médio de transporte (l*), que é a distância após a qual o fóton perde a direção original do feixe incidente. Já a transmitância está relacionada ao livre caminho médio (l), que é a distância média entre os centros de espalhamento. Ambos os parâmetros dependem do tamanho e da concentração das partículas. O equipamento escaneia verticalmente a célula ao longo do tempo, gerando perfis de intensidade que revelam fenômenos de instabilidade como sedimentação, cremeação, floculação e coalescência.

Aplicações em laboratório e indústria

O SMLS é amplamente utilizado em laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, bem como em controle de qualidade industrial, para avaliar a estabilidade de formulações em setores como farmacêutico, cosmético, alimentício, petroquímico e materiais. Entre as aplicações práticas, destacam-se:

  • Estudos de estabilidade acelerada: monitoramento da evolução de dispersões ao longo do tempo para prever prazo de validade.
  • Caracterização de nanocelulose: avaliação da dispersibilidade e do tamanho de agregados em suspensões concentradas de nanocristais de celulose, conforme estudo publicado na Cellulose.
  • Desenvolvimento de formulações: otimização de emulsões e suspensões industriais, como tintas, pesticidas e produtos de cuidado pessoal.
  • Ensaios de toxicologia in vitro: triagem simultânea da estabilidade e da dosimetria de dispersões de nanopartículas.

O método é padronizado pela norma ISO/TS 21357, que descreve os procedimentos para avaliar o diâmetro médio equivalente de partículas em dispersões líquidas.

Vantagens e limitações

As principais vantagens do SMLS incluem a não invasividade, a ausência de preparo de amostra (análise "como está"), a alta resolução para detectar variações de tamanho e concentração, e a rapidez nas medições. Além disso, é possível correlacionar os dados com modelos matemáticos para estimar distribuições de tamanho de partículas e velocidades de migração em sistemas polidispersos. Como limitação, a técnica requer calibração adequada e modelos de espalhamento (como a teoria de Mie) para converter intensidades em diâmetros médios, e pode ser menos precisa para partículas não esféricas ou com alta porosidade.

Tendências e inovações recentes

Pesquisas atuais têm combinado o SMLS com abordagens preditivas, como o método de Hansen, para racionalizar a dispersibilidade e a estabilidade coloidal de partículas em diferentes solventes. Outra inovação é o acoplamento do SMLS a modelos de movimento vertical sob gravidade, permitindo a medição de distribuições de velocidade e tamanho de partículas em suspensões altamente concentradas. Um artigo recente na Advanced Powder Technology demonstra a aplicação do SMLS para caracterizar a sedimentação de suspensões concentradas de partículas submicrométricas, mostrando boa correlação com dados de sedimentação gravitacional.

Qual a diferença entre SMLS e DLS (espalhamento de luz dinâmico)?

O espalhamento de luz dinâmico (DLS) mede flutuações temporais da intensidade espalhada para determinar o coeficiente de difusão e o tamanho hidrodinâmico de partículas em suspensões diluídas. Já o SMLS é uma técnica estática que mede a intensidade média espalhada em amostras concentradas, onde a luz sofre múltiplos espalhamentos, permitindo a caracterização direta de sistemas opacos sem diluição.

O SMLS pode ser usado para partículas não esféricas?

Embora a teoria de Mie, comumente aplicada para converter intensidades em diâmetros, assuma partículas esféricas, o SMLS pode fornecer informações qualitativas e comparativas sobre a estabilidade e a agregação de partículas não esféricas. Para partículas alongadas ou com formas irregulares, os resultados devem ser interpretados como diâmetros equivalentes.

Quais são os parâmetros críticos para uma medição confiável com SMLS?

Os parâmetros mais importantes incluem a concentração da fase dispersa, o índice de refração das partículas e do meio, o tamanho médio e a distribuição de tamanhos. Além disso, a escolha adequada do modelo de espalhamento (Mie, Rayleigh-Debye-Gans) e a calibração do instrumento com padrões de tamanho conhecido são fundamentais para a precisão dos resultados.

Fique por dentro

Receba novidades, artigos e atualizações por e-mail.

Fique atento às novidades sobre equipamentos, serviços e tendências regulatórias preparadas para o seu idioma.

Indústrias
Normas
Produtos