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Técnicas de Extração de Exossomos: O Que Revelou o Estudo Comparativo com ZetaView

Um estudo comparou quatro técnicas de isolamento de exossomos do soro humano e mostrou que os kits comerciais renderam de 80 a 300 vezes mais partículas que a ultracentrifugação. O ZetaView (NTA) mediu tamanho, concentração e potencial zeta.

11 ago 2026 19 19 minutos de leitura

As principais técnicas de extração de exossomos são a ultracentrifugação diferencial e a precipitação por meio de kits comerciais, e um estudo comparativo publicado na revista científica PLOS ONE demonstrou que os três kits testados (miRCURY, ExoQuick e TEIR) renderam de 80 a 300 vezes mais partículas do que a ultracentrifugação, mantendo qualidade equivalente.

Ultracentrifugação diferencial e kits comerciais de precipitação para isolamento de exossomos.

Nesse estudo, o instrumento ZetaView , baseado na análise de rastreamento de nanopartículas ( NTA ), foi a ferramenta central usada para medir o tamanho, a concentração e o potencial zeta dos exossomos isolados.

O interesse por técnicas de extração de exossomos cresceu de forma acelerada na última década, impulsionado pelo papel dessas vesículas como potenciais biomarcadores de doenças e carregadores de microRNA.

Conduzido por pesquisadores da Augusta University em parceria com a Duke University , o trabalho comparou quatro métodos de isolamento em diferentes volumes de soro humano: a ultracentrifugação diferencial e três kits comerciais baseados em precipitação. Foram incluídos volumes muito pequenos para simular a escassez comum em amostras clínicas reais.

A seguir, os principais tópicos abordados neste conteúdo:

  • Por que isolar exossomos é um desafio técnico e científico;
  • Os quatro métodos de extração comparados no estudo;
  • O papel do ZetaView e da análise de rastreamento de nanopartículas;
  • Os métodos complementares de caracterização;
  • Os principais resultados de rendimento, tamanho e potencial zeta;
  • O que essas descobertas significam na prática de laboratório.

Por que isolar exossomos é um desafio

Exossomos são vesículas extracelulares esféricas, com tamanho entre 40 e 150 nanômetros, derivadas do compartimento endossomal das células . Eles carregam DNA genômico, RNA, proteínas e lipídios, atuando como mediadores da comunicação entre células em organismos multicelulares.

Representação da extração de exossomos de uma amostra de soro e visualização das vesículas isoladas.

Justamente por transportarem microRNA e outras moléculas de sinalização, os exossomos ganharam destaque como candidatos a biomarcadores de doenças e como potenciais sistemas de entrega de fármacos. O problema é que isolá-los com qualidade confiável e concentração suficiente ainda é considerado um dos grandes desafios científicos da área.

Identificar a técnica ideal de isolamento é essencial para qualquer avanço na descoberta de novos biomarcadores baseados em exossomos.

A dificuldade está em separar os exossomos de outros componentes do soro, como agregados de proteínas e lipoproteínas, sem alterar as propriedades físicas nem o conteúdo das vesículas.

É nesse contexto que a escolha do método de extração se torna determinante para a validade dos resultados.

Os quatro métodos de extração de exossomos comparados

O estudo colocou frente a frente quatro métodos de isolamento: a ultracentrifugação diferencial e três kits comerciais, miRCURY, ExoQuick e TEIR. Embora sejam quatro métodos comparados, eles representam duas abordagens principais de isolamento: ultracentrifugação e precipitação. A comparação foi desenhada para avaliar o método tradicional em relação a diferentes alternativas comerciais.

Ultracentrifugação diferencial (UC)

A ultracentrifugação diferencial é o método tradicional, adotado há décadas como referência para isolar exossomos de fluidos biológicos. A técnica separa as partículas aplicando forças centrífugas muito altas em ciclos sucessivos. Apesar de confiável, é trabalhosa, demorada, sensível à técnica do operador e exige uma ultracentrífuga, equipamento caro e nem sempre disponível.

Kits comerciais de precipitação

Os três kits testados, miRCURY (Exiqon), ExoQuick (System Biosciences) e TEIR / Total Exosome Isolation Reagent (Life Technologies), baseiam-se na precipitação por exclusão de volume, geralmente usando polietilenoglicol (PEG). Portanto, representam três métodos comerciais distintos que utilizam a mesma abordagem geral de isolamento por precipitação. Comparados à ultracentrifugação, são mais rápidos, menos sensíveis à técnica, mais compatíveis com volumes limitados de amostra e dispensam equipamentos especiais.

Como o estudo desenhou a comparação

Para garantir robustez, os pesquisadores extraíram exossomos de seis volumes diferentes de soro humano combinado (5 mL, 1 mL, 500 μl, 250 μl, 100 μl e 50 μl) e confirmaram os resultados em seis amostras individuais de doadores. Os volumes menores foram incluídos propositalmente para simular a disponibilidade limitada de amostras biológicas heterogêneas em estudos clínicos.

Gráficos comparando diâmetro e número total de partículas isoladas por miRCURY, ExoQuick, TEIR e ultracentrifugação em seis volumes de soro
Figura 1. Medições por NTA do (A) diâmetro das partículas e (B) número total de partículas isoladas por cada método nos diferentes volumes de soro. Fonte: Helwa et al., PLOS ONE, 2017 (CC BY).

O papel do ZetaView na análise dos exossomos

Análise de rastreamento de nanopartículas, conhecida pela sigla NTA (do inglês Nanoparticle Tracking Analysis )

O ZetaView (Particle Metrix) foi o instrumento central de caracterização física do estudo. Ele utiliza a técnica de análise de rastreamento de nanopartículas, conhecida pela sigla NTA (do inglês Nanoparticle Tracking Analysis ), empregada desde 2006 como um método confiável para medir tamanho e concentração de nanopartículas, incluindo exossomos.

Na prática, o equipamento rastreia o movimento browniano de nanopartículas individuais por meio de um microscópio de vídeo com espalhamento de laser. A partir desse rastreamento, o software calcula automaticamente as propriedades de cada amostra. O ZetaView é capaz de caracterizar partículas entre aproximadamente 10 e 2000 nanômetros.

Os três parâmetros medidos pelo ZetaView

A relevância do ZetaView no estudo está em consolidar três medições essenciais em um único instrumento:

  • Tamanho: o diâmetro das partículas mais abundantes, usado para confirmar se estão na faixa esperada de exossomos (40–150 nm);
  • Concentração: o número total de partículas isoladas, convertido em valor absoluto a partir do volume de ressuspensão e dos fatores de diluição;
  • Potencial zeta: a diferença de potencial elétrico entre a camada fixa da partícula carregada e os íons em solução, medida em milivolts e usada como indicador de estabilidade.

Quanto maior a magnitude do potencial zeta, maior a repulsão entre as partículas em solução, o que sugere menor probabilidade de aglomeração ou sedimentação. Esse parâmetro é, portanto, um indicador direto da estabilidade das amostras isoladas.

Segundo os autores, este foi o primeiro estudo a integrar o potencial zeta e a quantificação absoluta de microRNA como parâmetros de comparação entre métodos de isolamento.

Métodos que complementaram a caracterização

Embora o ZetaView tenha sido o eixo central, o estudo combinou várias técnicas complementares para validar a identidade e a qualidade dos exossomos isolados. Essa abordagem múltipla foi um dos diferenciais do trabalho.

  • Microscopia eletrônica de transmissão (TEM): confirmou a morfologia clássica dos exossomos e, por imunomarcação com ouro, a presença dos marcadores CD63 e CD9;
  • Western blot: detectou a expressão das proteínas CD63 e CD9 em todos os métodos de isolamento;
  • Agilent Bioanalyzer: avaliou a qualidade e a quantidade do RNA exossomal;
  • ddPCR (PCR digital em gotas): quantificou de forma absoluta dois microRNAs conhecidos, o miR-16 e o miR-451.

magens de microscopia eletrônica de transmissão mostrando exossomos com marcação de ouro para CD63 e CD9
Figura 5. Imagens de TEM da morfologia dos exossomos: coloração negativa (topo) e imunomarcação com ouro para CD63 e CD9. Escala: 100 nm. Fonte: Helwa et al., PLOS ONE, 2017 (CC BY).

Principais resultados do estudo

A combinação das análises gerou um conjunto consistente de resultados sobre o desempenho de cada método de isolamento. Os achados esclarecem tanto o rendimento quanto a qualidade das partículas isoladas.

Rendimento: os kits superaram a ultracentrifugação

O achado mais expressivo foi a diferença de rendimento. Os três kits comerciais produziram uma quantidade significativamente maior de exossomos do que a ultracentrifugação em quase todos os volumes de soro. A UC isolou aproximadamente 79 a 126 vezes menos partículas que os kits nos volumes de 50 μl a 1 mL.

No volume de 5 mL, a diferença chegou a cerca de 299 vezes, embora não tenha atingido significância estatística devido à grande variação entre as réplicas. Além disso, observou-se uma correlação linear entre o volume de soro e o número de partículas isoladas em todos os métodos.

Tamanho e morfologia das partículas

Todos os métodos isolaram partículas dentro da faixa esperada de exossomos (40–150 nm). No soro combinado, porém, a ultracentrifugação produziu partículas com diâmetro significativamente maior que os kits, um efeito atribuído à possível fusão das partículas com contaminantes sob as altas velocidades de centrifugação.

Curvas de distribuição de tamanho das partículas isoladas por cada método nos diferentes volumes de soro
Figura 2. Distribuição de tamanho dos exossomos isolados por cada método e volume de soro, medida por NTA. Fonte: Helwa et al., PLOS ONE, 2017 (CC BY).

Potencial zeta e estabilidade

Todas as medições de potencial zeta foram negativas, variando de -9,8 a -22,6 mV a 23 °C. Esses valores indicam que os exossomos isolados são partículas negativamente carregadas, em concordância com estudos anteriores. A magnitude relativamente baixa do potencial zeta aponta para certa instabilidade em solução.

A baixa magnitude do potencial zeta reforça a necessidade de cautela no manuseio e no armazenamento dos exossomos, que devem ser mantidos a -80 °C.

Gráfico de potencial zeta em milivolts das partículas isoladas por cada método nos diferentes volumes de soro
Figura 7. Medições de potencial zeta pelo ZetaView para exossomos isolados por cada método e volume de soro. Fonte: Helwa et al., PLOS ONE, 2017 (CC BY).

Qualidade e quantidade do RNA exossomal

Todo o RNA extraído apresentou boa qualidade, com um único pico entre 25 e 200 nucleotídeos e sem sinais dos picos ribossomais 18S ou 28S. Curiosamente, apesar de os kits isolarem muito mais partículas, isso não se traduziu em maior quantidade de RNA: os métodos renderam quantidades semelhantes de RNA na maioria dos volumes.

Na quantificação por ddPCR, todos os métodos detectaram os microRNAs miR-16 e miR-451, com correlação linear positiva entre volume de soro e concentração de microRNA. A variabilidade observada reforça a importância de manter um mesmo método de isolamento ao longo de um estudo.

O que essas descobertas significam na prática

O conjunto de resultados sustenta uma conclusão clara e de aplicação direta no laboratório. Os três kits comerciais, miRCURY, ExoQuick e TEIR, se mostraram alternativas adequadas à ultracentrifugação, mesmo com quantidades limitadas de material biológico.

Na prática, isso significa que laboratórios sem acesso a uma ultracentrífuga, ou que trabalham com amostras clínicas escassas, podem recorrer aos kits sem comprometer a qualidade do material isolado. A principal ressalva é a possível contaminação por lipoproteínas, uma limitação comum a praticamente todos os métodos baseados em precipitação.

Para contornar essa limitação, os autores recomendam o uso consistente e repetido do mesmo método dentro de um grupo de amostras investigadas, de modo a garantir comparações válidas entre elas.

Limitações a considerar

O próprio estudo reconhece limites em seu escopo. A comparação não cobriu todos os reagentes disponíveis no mercado, concentrando-se em três dos kits mais usados. Além disso, foram testadas apenas amostras de soro humano, o que torna necessário replicar a análise em outros fluidos, como urina, humor aquoso e líquido cefalorraquidiano.

Por fim, a atividade biológica dos exossomos extraídos não foi avaliada, um aspecto relevante para confirmar a relevância clínica das vesículas, que poderá ser explorado em estudos futuros.

Perguntas frequentes sobre extração de exossomos

O que é um exossomo?

É uma vesícula extracelular de 40 a 150 nanômetros, derivada do compartimento endossomal das células, que carrega RNA, DNA, proteínas e lipídios e atua na comunicação entre células.

Quais são as principais técnicas de extração de exossomos?

Entre as abordagens avaliadas no estudo estão a ultracentrifugação diferencial e a precipitação por meio de kits comerciais. Foram comparados quatro métodos: ultracentrifugação, miRCURY, ExoQuick e TEIR.

O que faz o ZetaView em um estudo de exossomos?

O ZetaView realiza a análise de rastreamento de nanopartículas (NTA), medindo o tamanho, a concentração e o potencial zeta das partículas isoladas.

Qual método de extração rende mais exossomos?

No estudo, os três kits comerciais renderam de 80 a 300 vezes mais partículas do que a ultracentrifugação na maioria dos volumes de soro.

O que é potencial zeta?

É a diferença de potencial elétrico entre a camada fixa de uma partícula carregada e os íons em solução, medida em milivolts. Serve como indicador da estabilidade das partículas.

Por que os exossomos devem ser armazenados a -80 °C?

Porque a baixa magnitude do potencial zeta indica instabilidade em solução, exigindo cautela no manuseio e temperaturas de armazenamento adequadas para preservar as vesículas.

A ultracentrifugação ainda é útil para isolar exossomos?

Sim, continua sendo um método de referência, mas é mais trabalhosa, demorada e exige equipamento caro. Os kits são alternativas viáveis, sobretudo quando há pouca amostra disponível.

O que é ddPCR na análise de exossomos?

É a PCR digital em gotas, técnica usada para quantificar de forma absoluta microRNAs específicos, como o miR-16 e o miR-451, presentes nos exossomos isolados.

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Conteudo publicado pela equipe Innotec.

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